terça-feira, 27 de março de 2012

Inglês usa tecnologia para levar diversão a deficientes físicos

Deficiente controla jogo com a visão (Foto: Divulgação)

Muito obrigado por ter me ajudado a encontrar o equipamento certo para eu conseguir usar meu computador de novo, [...] graças a vocês consigo fazer qualquer coisa, me comunicar com minha família e amigos e jogar." Foi com essa carta que Joe, um jovem portador de deficiência do Reino Unido, agradeceu a ajuda que recebeu da equipe de Mick Donegan para conseguir um computador adaptado à sua condição física - e controlá-lo pela visão.

Mick é fundador e diretor da SpecialEffect(site em inglês), organização que adapta, de graça, controles de videogames e jogos de computador para portadores de deficiência física.

[O G1 publica nesta quinta e sexta-feira (1º e 2) a série 'Transformadores - pessoas que mudam o mundo', que conta histórias de gente que mudou a própria vida para melhorar a realidade de outras pessoas.Conheça todos os personagens.]

Aos 59 anos, casado com uma "linda, compreensiva, companheira e paciente" esposa, com três filhos e com um histórico de décadas de trabalho em educação especial, Mick passou a se dedicar integralmente ao assistencialismo em 2011 - e conseguiu formar uma equipe que hoje muda a vida de milhares de pessoas com deficiência.

Eles não podem brincar na rua como as outras crianças, então a interação com o computador ou videogame passa a ter um valor especial, explica Mick, que também é professor-adjunto do programa de pesquisa em acessibilidade SMARTlab, da Universidade de Dublin.

Confira a entrevista com Mick Donegan:

G1 - A ideia de trabalhar com educação especial foi motivada por alguma história pessoal?
Mick Donegan - Meu primo mais novo tem dificuldade de aprendizagem. Sentia profundamente sua frustração quando ele percebeu que era tão difícil se comunicar. Por exemplo, ele queria muito conseguir dizer meu nome, mas apesar de tentar demais, em vez de 'Michael' ele dizia 'Maboo'! Quando cresci, não podia deixar de compartilhar o meu profundo sentimento de frustração e até mesmo raiva de todas as pessoas com deficiência de comunicação que têm algo a dizer ou expressar criativamente, mas que são incapazes de fazê-lo, quer de forma suficientemente rápida ou, em alguns casos, incapaz de expressar-se totalmente.

G1 - Quando você criou a organização? Por quê?
Mick - Comecei cerca de 4 anos atrás. Nos primeiros 3 anos, trabalhei voluntariamente no meu tempo livre. Aí, ano passado, consegui trabalhar em tempo integral. Agora trabalho em tempo integral e no meu tempo livre também!
SpecialEffect estuda casos e prepara o atendimento em domicílio quando necessário (Foto: Divulgação)

Minha formação é em educação especial e tenho trabalhado para ajudar as pessoas com deficiência a se beneficiarem da tecnologia assistida por muitos anos. Estive envolvido em muitas missões para ajudar pessoas com deficiência grave a encontrar a tecnologia certa para ajudá-los com a comunicação e acesso à aprendizagem. No entanto, fiquei cada vez mais consciente de que, enquanto muitos profissionais oferecem suporte para comunicação e aprendizagem, uma área que necessita e que tem muito pouco apoio é o acesso à tecnologia para jogos e expressão criativa.

Muitas vezes, por exemplo, no final de uma missão para encontrar uma ferramenta de comunicação para uma criança que não fala em uma cadeira de rodas, os pais dizem 'Bem, a tecnologia que você recomendou será útil para que ela possa se comunicar e conseguir aprender, mas o que eles fazem quando chegam em casa da escola? Eles não podem correr ou jogar como as outras crianças. Como eles podem encontrar maneiras de jogar jogos com amigos e familiares?'.

Eu fui sortudo porque consegui fazer um projeto piloto no qual percebi que muitas pessoas portadoras de deficiência precisavam desesperadamente usar o computador para lazer - para fazer amigos, para a motivação, para competir, e, claro, para se divertir!

G1 - Quais foram as maiores dificuldades?
Mick - A principal dificuldade é que, na minha opinião, a tecnologia que permite que as pessoas com deficiência desfrutem de videogames está cerca de 1/4 de século atrasada em relação a muitos outros tipos de tecnologia assistida, como para a comunicação, aprendizagem ou mobilidade. Assim, a principal dificuldade é que temos cerca de 1/4 de século de tempo perdido para compensar!

Além disso, devido à falta comparativa de apoio e incentivo para que as pessoas com deficiência aproveitem os jogos de computador, outra dificuldade é que muitos desistiram de tentar. Por isso, quando trabalhamos com uma pessoa para encontrar uma solução para ela, uma parte muito importante do trabalho é mostrar o que pode ser feito. Uma maneira de fazer isso é pelo uso de vídeos de casos de estudo, que colocamos na nossa base de dados (em inglês).

G1 - Quais são as mudanças mais comuns que precisam ser feitas nos games?
Mick - Às vezes nenhuma mudança é necessária. É uma questão de encontrar a combinação certa de um controle existente com o jogo certo para satisfazer as necessidades da pessoa. No entanto isso está longe de ser tão fácil como parece. Há muitos milhares de controles, muitos milhares de jogos e diversos tipos de deficiência. Para encontrar a combinação certa é preciso ter uma considerável sensibilidade, experiência e especialização.
Organização inglesa tem uma base de dados acessada de vários países (Foto: Divulgação)

É por isso que sempre foi minha intenção que a 'SpecialEffect' fosse um verdadeiro centro de excelência, com especialistas em educação, especialistas em saúde e especialistas técnicos, bem como especialistas em design e programação. Às vezes exige um controle criado especialmente para um indivíduo. Às vezes, uma modificação no software pode ser necessária. Por exemplo, só pode ser controlado pelo teclado e gamepad. Uma interface especial de software é criada pelo programador, Tim Brogden. Isso significa que muitas pessoas com deficiência usando controles de ponteiros, como joysticks especiais, de bolas, mouse e até mesmo controles pelo olhar podem jogar.

G1 - Como é o processo? Se a criança com deficiência o procura, o que você faz primeiro?
Mick - Nós fazemos o melhor para ajudar qualquer pessoa que queira jogar um videogame, de qualquer idade, com qualquer deficiência a ser capaz de se divertir. Fazemos isso da seguinte forma: primeiro existe a informação no nosso banco de dados (GameBase), que oferece informações sobre os tipos de jogos que se pode jogar usando uma variedade de controles diferentes, dependendo de sua deficiência. Se eles não acharem a informação que precisam, então eles podem entrar em contato por e-mail. Nós também temos uma biblioteca onde é possível pegar emprestados jogos e controles para pessoas com deficiência no Reino Unido.

Isso permite às pessoas experimentar controles e softwares antes de comprá-los, muitas vezes economizando um enorme tempo e dinheiro. Temos também uma sala de jogos (GamesRoom) no nosso centro, em Oxfordshire, onde as pessoas podem agendar uma visita para experimentar uma gama de jogos e controles com o apoio da nossa equipe de especialistas. Se é impossível para alguém visitar o centro por causa da deficiência, então podemos organizar uma visita da equipe à casa da pessoa para ajudar a encontrar a tecnologia certa e, se necessário, desenhar ou modificar sistemas.
Atendimento da organização é gratuito (Foto: Divulgação)

G1 - Os serviços são gratuitos?
Mick - Sim. Para qualquer um, com qualquer deficiência, de qualquer idade. Isso é fundamental para nosso trabalho, temos que trabalhar arduamente para gerar os fundos que necessitamos para que tenhamos o pessoal e os recursos de equipamentos necessários para fornecer tal suporte de trabalho intensivo e especializado. Por exemplo, estou fazendo uma caminhada sobre brasa e vidro patrocinada em alguns meses - espero sobreviver!

G1 - Como é o retorno das pessoas?
Mick - Muito positivo! Por causa da variedade de serviços que oferecemos, da informação disponível no site pelo suporte individual, se necessário, as pessoas podem descobrir o nível de ajuda que precisam. Como há muitos que vistam o site, encontram a informação que precisam sem a necessidade de nos contatar, cada vez que alguém nos contata para pedir ajuda - por email, telefone ou pessoalmente - isso vira um projeto de pesquisa, [...] um processo interativo com o objetivo de encontrar uma solução que melhor supra as necessidades do indivíduo.

Até agora, muitas pessoas têm sido generosas no agradecimento. Nós ajudamos um jovem chamado Joe, paralítico, a usar um sistema de controle pela visão para manejar o computador e acessar games. Antes disso, tudo o que ele podia fazer era ver TV. No dia seguinte que emprestamos o sistema a ele, sua mãe ligou para falar sobre seu progresso e disse: 'Ele está nisso o tempo todo - é como se vocês tivessem dado uma nova vida a ele!'
Deficiente controla jogo com a visão (Foto: Divulgação)

G1 - Quantas pessoas vocês ajudaram até agora?
Mick - A informação da nossa base de dados é usada por pessoas de todo o mundo, como mostra a variedade de nacionalidades de membros que temos. Nós não temos atualmente uma forma de contabilizar as visitas ao site, mas todas as indicações (como os números de visitas e nossos links no YouTube) apontam para dezenas senão centenas de milhares de visitantes. No entanto, muito mais importante que números é a diferença que fazemos para a qualidade de vida de quem precisa de ajuda. Alguns exigem apoio intensivo - se cobrássemos pelos serviços, os valores chegariam a milhares de libras - e a diferença que conseguimos fazer é enorme. Em alguns casos, devolve realmente a muitas pessoas com deficiência a vontade de viver.

G1 - O que precisa ser feito, na sua opinião, pela indústria dos games para incluir essas pessoas como consumidores?
Mick - Além de informação e suporte pessoal como descrevi acima, um de nossos serviços chave é colaborar com os desenvolvedores de software e hardware para fazer os games mais acessíveis a partir da palavra "go" (ir).

G1 - Como você se sente com a iniciativa? Compensa?
Mick - Como disse acima, as pessoas que avaliam a qualidade de nosso trabalho são aquelas a que tentamos mais ajudar. Às vezes toma muito tempo e esforço, mas, quando chegamos a uma solução satisfatória, para nós é uma jornada compensadora. Disse acima o que a mãe de Joe nos falou quando o ajudamos a usar o computador. Joe escreveu para nós:

"Muito obrigado por ter me ajudado a encontrar o equipamento certo para conseguir usar meu computador de novo, estava achando muito difícil fazer coisas que gosto no computador. Agora, graças a vocês, consigo fazer qualquer coisa que quiser e posso me comunicar com minha família e amigos e jogar jogos de novo. Sou muito agradecido a vocês. Muito obrigado, Joe"

Se vale a pena? Bom, não consigo pensar em um motivo melhor para levantar da cama de manhã!



Fonte: TechTudo  

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cresce número de brasileiros usuários ativos de internet

Durante o mês de janeiro, aumentou 2% o número de internautas ativos. No mesmo mês, Brasil teve 63,5 milhões de pessoas com acesso à web.

Aumentou, no mês de janeiro, o número de usuários ativos de internet no Brasil, segundo dados divulgados pelo Ibope Nielsen Online nesta segunda-feira (27). A pesquisa mostra que, das 63,5 milhões de pessoas com acesso à web em casa ou no trabalho, 47,5 milhões foram usuários ativos durante o primeiro mês do ano.

O crescimento foi de 2% em relação ao mês anterior e 11,2% em relação a janeiro de 2011. “A maior parte do crescimento vem das residências. Entre janeiro de 2011 e janeiro de 2012, o número de usuários ativos domiciliares passou de 34,2 milhões para 39 milhões”, informou o Ibope, em comunicado.

Entre os sites, a categoria com maior crescimento mensal trazia os endereços governamentais. A audiência desses sites passou de 22,3 milhões de usuários em dezembro para 25,3 milhões em janeiro. Segundo o Ibope, o crescimento está relacionado à busca de informações sobre assuntos como o Enem e o Prouni.

O Ibope mostrou que a publicidade na internet também começou 2012 em alta. “Em janeiro, foram veiculadas mais de 6 mil campanhas de 2.124 diferentes anunciantes”, diz a entidade. O crescimento foi de 39% em comparação a janeiro de 2011.

O estudo também mostrou que os brasileiros com acesso à internet em qualquer ambiente (incluindo casas, trabalho, escolas, lan houses e outros lugares) foi de 78,5 milhões no terceiro trimestre de 2011.

Fonte: Tech tudo

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Computador biológico pode ler imagens salvas em moléculas de DNA

Pesquisadores criaram um computador biológico – que funciona a partir de moléculas orgânicas, capaz de decodificar informações salvas no DNA. Em comparação, seria equivalente dizer que o computador biológico usa moléculas de DNA como HD.

bio
Computador biológico (Foto: Divulgação)

 
O DNA nada mais é, aliás, do que um dispositivo que guarda informações. Nas moléculas estão guardadas gigas e mais gigas de informações e rotinas que servem para "configurar um ser vivo. A novidade foi criar um dispositivo capaz de ler informações que estejam codificadas no DNA, como as imagens que ilustram este texto.

Os pesquisadores não criaram um computador no sentido eletrônico ao que estamos mais acostumados, ao contrário disso, a máquina que eles desenvolveram segue o princípio da máquina de Alan Turing, que consistia num dispositivo mecânico que lia informações guardadas numa longa tira de papel. A máquina lia as instruções nesta tira e a um conjunto de regras e exceções, o “software”, decidia o que fazer com as informações.

Fonte: Tech Tudo

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tecnologia de Avatar vai monitorar operários nas fábricas

 
Tempos ultra-modernos

Como Charles Chaplin imortalizou no filme Tempos Modernos, trabalhadores fabris devem respeitar tempos estritos - e, via de regra, muito estreitos.
Desde Taylor e sua "administração científica", os gerentes vêm medindo o tempo necessário para que um operário execute cada tarefa usando um cronômetro e uma prancheta.

Agora, em uma aplicação que faria Chaplin sentir-se em férias em sua fábrica, engenheiros alemães estão empregando as mais modernas tecnologias usadas para a realização de filmes digitais para monitorar os empregados com precisão de milésimos de segundo.

Dependendo da tarefa, os operários podem vestir as mesmas roupas repletas de sensores que as estrelas de filmes como Avatar.
Mas Martin Woitag e seus colegas afirmam ser suficiente usar três sensores colados na manga do uniforme de um operário para monitorar com precisão a maioria das tarefas.

Taylorismo digital
Os sensores gravam automaticamente os movimentos da mão e do braço, medindo com precisão o início e o fim de ações individuais como, por exemplo, alcançar uma peça, pegar uma peça ou ferramenta, configurar um aparelho, girar ou manipular a ferramenta, e até o ato de soltar a peça ou ferramenta.
"O método atual do cronômetro permite que um gerente de processos monitore no máximo cinco indivíduos ao mesmo tempo, dependendo da situação. Nossa solução torna possível registrar tempos simultaneamente, mesmo em diferentes locais, sem a necessidade de trabalhos adicionais. A maior precisão e a maior objetividade do novo sistema são cruciais," justifica Woitag.

Sensores inerciais
O taylorismo à la século 21 tira proveito dos sensores inerciais que revolucionaram não apenas os filmes, mas também os videogames, e já equipam grande parte dos smartphones e tablets.
Eles medem a aceleração e a velocidade angular dos braços e das mãos nos eixos X, Y e Z.
Ao contrário de outros sistemas de rastreamento de movimento, como os baseados em GPS, o sistema de medição inercial não exige qualquer infraestrutura para funcionar - os sensores inerciais detectam a posição do objeto no espaço de forma independente.
Um programa rodando em um PC completa o sistema. O software calcula e reconstrói as sequências de movimento com base nos dados dos diversos sensores.
O próprio programa quebra os processos em segmentos de movimento e verifica os tempos necessários para a realização de cada um.

Ergonomia
Na próxima etapa do trabalho, os pesquisadores pretendem configurar o sistema também para analisar operações de montagem durante as quais os trabalhadores precisam se mover ou andar.
Eles também planejam usar os sensores para detectar a postura e, assim, analisar ergonomia no trabalho.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Robôs cirúrgicos


A primeira geração de robôs cirúrgicos já está sendo instalada em diversas salas de cirurgia ao redor do mundo. Eles não são verdadeiros robôs autônomos, que realizam cirurgias sozinhos, mas fornecem ajuda mecânica aos cirurgiões. Essas máquinas ainda requerem um médico para manuseá-las e fornecer instruções. O controle remoto e a ativação por voz são os métodos pelos quais esses robôs cirúrgicos são controlados.


A robótica está sendo introduzida na medicina porque permite maior controle e precisão dos instrumentos cirúrgicos, com procedimentos minimamente invasivos. Até agora, essas máquinas foram usadas para posicionar um endoscópio, efetuar cirurgias da vesícula biliar e corrigir refluxo gastroesofágico e azia. A meta principal do campo da cirurgia robótica é projetar um robô que possa ser usado para efetuar cirurgias de coração sem abertura da caixa torácica. De acordo com um fabricante, dispositivos robóticos poderiam ser usados em mais de 3,5 milhões de procedimentos médicos por ano somente nos Estados Unidos. Eis três robôs cirúrgicos que foram desenvolvidos recentemente:

Em julho de 2000, a Food and Drug Administration (FDA), órgão federal americano que estabelece normas para a indústria alimentícia e de remédios aprovou o Sistema Cirúrgico da Vinci, tornando-o o primeiro sistema robótico com uso permitido em salas de cirurgia nos Estados Unidos. Desenvolvido pela Intuitive Surgical (em inglês) a um custo de US$ 1 milhão, o sistema da Vinci usa uma tecnologia que permite ao cirurgião chegar mais perto do alvo do que a visão humana permitiria, trabalhando em uma escala menor do que a cirurgia convencional permite. O sistema da Vinci consiste de dois componentes principais:  

  • um console de visualização e controle
  • uma unidade de braço cirúrgico
  •  
Usando o da Vinci para uma cirurgia de vesícula biliar, 3 incisões (de diâmetro inferior ao de um lápis) são feitas no abdômen do paciente e permitem a inserção de 3 hastes de aço inoxidável. As hastes são mantidas no local por três braços robóticos. Uma das hastes é equipada com uma câmera, ao passo que as outras duas são equipadas com instrumentos cirúrgicos capazes de dissecar e suturar o tecido da vesícula biliar. Ao contrário da cirurgia convencional, esses instrumentos não são tocados diretamente pelas mãos do médico.

Foto cedida pela Intuitive Surgical
A visão do cirurgião ao utilizar o Sistema Cirúrgico da Vinci
Há poucos metros da mesa de operação, no console de controle, o cirurgião olha no visor para examinar as imagens em 3D enviadas pela câmera no interior do paciente. As imagens mostram o local da cirurgia e os dois instrumentos cirúrgicos instalados nas extremidades de duas das hastes. Controles similares a joysticks localizados logo abaixo da tela são usados pelo cirurgião para manipular os instrumentos cirúrgicos. Cada vez que um dos joysticks é movido, um computador envia um sinal eletrônico para um dos instrumentos, que é movimentado em sincronia com os movimentos das mãos do cirurgião.

Outro sistema robótico que está prestes a ser aprovado pela FDA é o Sistema ZEUS, fabricado pela Computer Motion (a um custo de US$ 750 mil), que já está disponível na Europa. Entretanto, ambos os sistemas, da Vinci e ZEUS, precisam receber aprovação governamental para cada procedimento em que serão utilizados. O ZEUS possui uma configuração similar à do sistema da Vinci: possui uma estação de trabalho computadorizada, uma tela de vídeo e controles manuais usados para mover os instrumentos cirúrgicos instalados na mesa. Enquanto o sistema ZEUS ainda não foi liberado para uso nos Estados Unidos não ser para testes clínicos, os médicos alemães já usam o sistema para realizar cirurgias de ponte de safena.

O sistema ZEUS utiliza a assistência do Sistema Robótico AESOP (sigla em inglês para Sistema Endoscópico Automatizado para Posicionamento Ideal). Lançado pela Computer Motion em 1994, o AESOP foi o primeiro robô a ser liberado pela FDA para assistência de cirurgias em salas de operação. O AESOP é mais simples do que os sistemas da Vinci e ZEUS. Trata-se de um braço mecânico usado pelo médico para posicionar o endoscópio (câmera cirúrgica inserida no paciente). Pedais ou um software ativado por voz permitem que o médico posicione a câmera, deixando suas mãos livres para prosseguir com a operação.

Fonte: Como tudo Funciona (Uol)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Nova tecnologia de precisão para realizar operações delicadas


Novas cirurgias complexas e que envolvem riscos a partes delicadas, como a coluna, agora têm mais chances de ser um sucesso. Os cirurgiões terão mais tranquilidade ao realizar as operações, graças a um novo sistema inovador, baseado em um neuronavegador, um microscópio especial e um software específico.

O sistema possui três pilares fundamentais reunidos em um único aparelho. Em primeiro lugar um microscópio de grande precisão, depois um neuronavegador e por último um sistema de cirurgia guiado por imagens. O microscópio permite focar as coisas com grande velocidade, independente do aumento, enquanto o sistema de imagens funciona como um ponteiro de navegação físico.

Graças a esses três elementos, o cirurgião conhece imediatamente os locais de navegação, o diagnóstico e outros detalhes, sem perder de vista a operação, reduzindo a possibilidade de falhas.

Embora o sistema já tenha sido utilizado em operações mais básicas, foi usado pela primeira vez em uma operação de fixação cervical na Espanha. A operação aconteceu em Zaragoza, e atingiu áreas muito próximas da medula e de artérias vitais.

Essa tecnologia de visualização só está disponível em centros da Espanha, e se trata de uma inovadora forma de cirurgia que pode render bons resultados médicos.


Fonte: Universia notícias

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Robôs operam coração batendo graças à visualização 3D


Os robôs cirurgiões tornaram-se uma realidade mais cedo do que se imaginava a princípio. No Brasil, até mesmo o Sistema Único de Saúde (SUS) já autoriza cirurgias feitas por robôs.

Os pesquisadores já demonstraram inclusive a viabilidade de cirurgias totalmente robotizadas.

Contudo, a precisão dos robôs geralmente tem seu custo - um paciente totalmente imóvel é uma regra para permitir que o cirurgião mecatrônico faça incisões tecnicamente perfeitas.

Isto torna difícil o uso dos robôs em cirurgias cardíacas - o bater constante do coração inviabiliza seu uso. O mesmo se dá em cirurgias ainda mais delicadas, no cérebro por exemplo, onde o movimento das veias e artérias, que é um movimento 3D, pode impedir a exploração da precisão dos robôs para minimizar o risco de danos às áreas sãs do organismo.

Modelo 3D do coração
Mas essas limitações parecem estar prestes a serem superadas.

Uma equipe de cientistas trabalhando no Centro Nacional de Pesquisas Científicas, da França, desenvolveu um modelo computadorizado em três dimensões capaz de acompanhar o movimento 3D da superfície do coração conforme ele bate - com extrema precisão e em tempo real.

Inserindo diretamente os dados do modelo no programa do robô cirurgião, os instrumentos robóticos movimentam-se de forma inteiramente coordenada com o bater do coração, permitindo que a cirurgia robotizada seja feita como se o coração estivesse parado.

Hoje, as cirurgias muito delicadas exigem que o coração seja efetivamente parado temporariamente. A nova tecnologia permitirá a redução dos riscos para o paciente representados por esses procedimentos.

Além do coração, o modelo 3-D computadorizado também acompanha o movimento da parede torácica do paciente durante a respiração, o que amplia sua possibilidade de utilização em outras cirurgias, melhorando o desempenho dos robôs cirurgiões de forma geral.

Cirurgias mais precisas
Ao longo dos últimos 10 anos, os braços robóticos tornaram-se essenciais em vários tipos de procedimentos cirúrgicos, incluindo as microcirurgias e as operações que requerem movimentos extremamente delicados.

No entanto, essas máquinas também impedem os cirurgiões de utilizar o seu sentido do tato e sua coordenação motora para se adaptar às variações no ambiente variável do corpo do paciente.

Este novo modelo gerado por computador permite que o cirurgião concentre-se nas operações de corte ou sutura, sem se preocupar em ajustar as ferramentas de acordo com o movimento da área operada.

Em última instância, esta inovação terá aplicações potenciais nas cirurgias cardíacas, incluindo a revascularização do miocárdio (pontes de safena e inserção de stents) e muitos tipos de cirurgia cerebral.

Rogério Richa e seus colegas afirmam que o avanço também permitirá a execução de várias cirurgias que hoje são consideradas arriscadas demais, onde o risco de complicações supera os benefícios esperados de uma cirurgia manual.

Modelo matemático do coração
Esta é a primeira tentativa bem-sucedida de efetivamente isolar os movimentos físicos do coração e dos pulmões durante a cirurgia. Isso é particularmente difícil dada a forma irregular do coração, assim como a sua tendência para se expandir em todos os sentidos durante o batimento. A superfície irregular do coração também torna mais difícil a utilização do rastreamento visual para identificar com precisão os movimentos 3D.

O desenvolvimento do modelo 3-D em tempo real foi possível graças a uma nova abordagem que se baseia em uma representação matemática da superfície do coração enquanto ele se move em três dimensões durante o bombeamento.

Várias tentativas já haviam sido feitas para a utilização de modelagem por computador para levar em conta os movimentos do coração e da respiração. No entanto, os esforços anteriores usavam imagens 2D combinadas com outras etapas de mensuração e cálculo, o que as torna lentas demais para fornecer um feedback instantâneo durante uma cirurgia.

O novo sistema de imageamento 3D prevê os movimentos do coração em uma única etapa, o que o torna rápido o suficiente para ser utilizado no ambiente real de uma sala cirúrgica.



Fonte: Inovação Tecnológica